“Nada de valor foi perdido”

modos de habitar, tecnologias da memória e patrimônio nas bordas úmidas da cidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5016/pem.v22.e4262

Palavras-chave:

memória social, saberes tradicionais, mutação climática, Antropoceno

Resumo

Este artigo analisa o papel da memória e do patrimônio como práticas relacionais de enfrentamento às crises socioambientais no contexto do Antropoceno, a partir de uma pesquisa etnográfica realizada com comunidades ribeirinhas de Pelotas (RS) severamente afetadas pela inundação de 2024. Em diálogo com autores como Latour, Haraway, Tsing, Tornatore e Sterling, o trabalho problematiza respostas tecnocráticas às mudanças climáticas e enfatiza saberes situados, experiências vividas e relações multiespécies. A pesquisa, de caráter qualitativo e orientada pela pesquisa-ação, mobiliza entrevistas narrativas, registros audiovisuais e práticas cartográficas produzidas de modo compartilhado. As narrativas analisadas evidenciam um deslocamento da noção de perda do plano material para o relacional, no qual vínculos sociais, territoriais e afetivos tornam-se centrais na elaboração coletiva da experiência extrema. Ao articular memória, trauma coletivo e patrimônio, o artigo propõe o patrimônio como dispositivo crítico e emergente, capaz de mediar processos de resiliência, restituição e continuidade da vida em contextos de emergência climática. 

Biografia do Autor

  • Daniele Borges Bezerra, UFPel - Universidade Federal de Pelotas

    Antropóloga e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas (PPGAnt/UFPel). Coordena o LEPPAIS/UFPel, integra o Comitê de Antropologia Visual da ABA e preside o Prêmio Pierre Verger (2026–2028). Doutora e pós-doutora em Antropologia, pesquisa imagem, inteligência artificial, acessibilidade, memória, patrimônio, direitos humanos, mutações climáticas, coexistências multiespécies e comunidades ribeirinhas tradicionais.

  • Valentina Machado, UFPel - Universidade Federal de Pelotas

    Doutora em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGAnt) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mestre em Arquitetura e Urbanismo pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PROGRAU/UFPel), na linha de pesquisa em Urbanismo Contemporâneo. É arquiteta e urbanista formada pela UFPel (2017). Seus interesses de pesquisa são interdisciplinres, abrangendo aspectos historiográficos, antropológicos, filosóficos e urbanísticos. Colabora em projetos de pesquisa, ensino e extensão junto ao Laboratório de Urbanismo (LabUrb/UFPel) e ao Laboratório de Ensino, Pesquisa e Produção em Antropologia da Imagem e do Som (LEPPAIS/UFPel). Atua principalmente nos temas Cartografia Urbana, Urbanismo Ecológico, Cidade e Subjetividade, Antropologia Urbana e Antropologia e Meio Ambiente, sendo vinculada ao Grupo de Pesquisa CNPq Cidade+Contemporaneidade (FAURB/UFPel) e ao Coletivo Antropoéticas (ICH/UFPel).

  • Juliane Conceição Primon Serres, UFPel - Universidade Federal de Pelotas

    Professora Associada da Universidade Federal de Pelotas (RS, Brasil), onde atua no Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural e no Departamento de Museologia, Conservação e Restauro. É doutora em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2009) e mestre em Museologia pela Universidad de Granada, Espanha (2010), além de mestre em História (Univ. do Vale do Rio dos Sinos, 2004) e bacharel em Licenciatura em História (Universidade Federal de Santa Maria, 2001). Realizou estágio pós-doutoral na Universidade da Borgonha (2024), investigando processos de patrimonialização do território. Sua pesquisa concentra-se em Museologia e História, com foco em ativação patrimonial, patrimonialização de lugares de sofrimento, história da saúde e museus.

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Publicado

18-10-2026

Como Citar

“Nada de valor foi perdido”: modos de habitar, tecnologias da memória e patrimônio nas bordas úmidas da cidade. (2026). Patrimônio e Memória, 22, 1-22. https://doi.org/10.5016/pem.v22.e4262