O FIM DO MUNDO E FABULAÇÕES DE FUTURO

UMA LEITURA DE AUTORIAS AFRO-DIASPÓRICAS

Autores

  • Heleine Fernandes de Souza Universidade Federal do Rio de Janeiro image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.5016/3kkw0s69

Palavras-chave:

Fim do Mundo; Poética Negra Feminista; Pensamento Negro Radical; Diáspora; Poesia Contemporânea, Poesia Latinoamericana.

Resumo

“Quero escrever sobre meu corpo/ as notas das canções do fim dos tempos”, nos diz a escritora equatoriana Yuliana Ortiz, no Canto VI de seu Canções do fim do mundo (Libero editorial, 2021/ Edições Flecha, 2023). No Brasil, ouvimos da escritora Tatiana Nascimento, na primeira de suas 07 notas sobre o apocalipse ou poemas para o fim do mundo (Garupa e ksa1, 2019): “então se liga: nós somos/ seu/ apocalipse/ kuír...”. O fim do mundo é uma narrativa que tem sido disputada por autorias negras da afro-diáspora, que a tomam como imagem-fresta para circulação de saberes e estéticas contra-hegemônicas, modos de ser e viver dissidentes, possibilitando a oxigenação e reflorestamento de imaginários. O que o fim do mundo oportuniza àquelas para quem o apocalipse não é uma ameaça por vir, e sim uma contingência do presente? A quantos fins de mundo os chamados povos subjulgados foram submetidos desde a colonização até os dias de hoje? Como afirma Jota Mombaça (2021), “se o futuro está para ser moldado, e o presente é colapso, esgotar o que existe é a condição de abertura dos portões do possível”. Esta perspectiva dialoga com a proposta de Poética Negra Feminista, da filósofa Denise Ferreira da Silva (2019), que consiste em uma virada do pensamento desde a experiência criativa da Negridade, que interrompe a violência perpetrada pela lógica da razão universal, baseada no princípio da separabilidade. “Como levar ao Fim a representação do Mundo Ordenado, no qual a separação de Subjectum e Mundus justifica o reino da violência, aquela desde a/na qual a dialética racial faz sentido?” (SILVA, 2019, p. 97). Neste sentido, discorreremos, neste ensaio, a respeito das formas que esta Poética Negra Feminista pode assumir em poemas de Yuliana Ortiz e Tatiana Nascimento.

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Publicado

2026-08-21

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS/ORIGINAL ARTICLES

Como Citar

O FIM DO MUNDO E FABULAÇÕES DE FUTURO: UMA LEITURA DE AUTORIAS AFRO-DIASPÓRICAS. (2026). Miscelânea: Revista de Literatura e Vida Social, 38, 63-80. https://doi.org/10.5016/3kkw0s69